agosto 19, 2014

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Como combater a violência contra motociclistas e a venda ilegal de peças?

Na última sexta-feira, 8 de agosto, a polícia civil e a Prefeitura de São Paulo realizaram uma blitz na região central de São Paulo onde há uma grande concentração de lojas de motos, peças, acessórios e tudo para o universo das duas rodas.

A ação teve por objetivo apurar a legalidade das lojas e, principalmente, identificar a venda de peças de motos roubadas. Uma iniciativa importante, pois boa parte das motocicletas roubadas são desmontadas e vendidas em peças. Isto não é uma característica só de São Paulo, ocorre no Brasil inteiro.

Infelizmente esse tipo de ação ainda é pouco, quase insignificante, diante desta situação tão perversa, que não se limita ao desmanche de um veículo. Outras ocorrências mais sérias ocorrem antes disso. Os roubos de motos geralmente envolvem acidente e violência, onde as vítimas podem sair feridas ou até perderem a vida, mesmo após entregarem o bem. Ou seja, os prejuízos para a sociedade são enormes, a começar pelo maior, mais grave e irreparável que é a perda de vidas humanas.

Sob o aspecto financeiro da questão, a cascata de prejuízos é grande. O primeiro a perder é o pobre do motociclista, que além do trauma em caso de assalto, perde também o seu precioso bem, comprado quase sempre ao custo de muito suor e esforço. Mas há ainda outros prejuízos para toda a sociedade. O mercado negro de peças não recolhe impostos e os cofres públicos deixam de arrecadar, não emprega com dignidade, não obedece padrões de qualidade e, ao se tratar de motocicleta, a qualidade da peça é igual a segurança.

A competitividade entre lojistas honestos e desonestos é injusta, o que desequilibra o mercado. Empresários que cumprem com as suas obrigações não conseguem competir de igual para igual, portanto vendem menos do que poderiam e, consequentemente, empregam dignamente menos pessoas e também pagam menor volume de impostos. É a cascata negativa da ilegalidade. Infelizmente o próprio motociclista é um dos maiores responsáveis por fazer este ciclo funcionar. Muitos não entendem que poderão ser a próxima vítima e acabam comprando este tipo de peça, atraídos pelos baixos preços.

As companhias de seguros têm elevado cada vez mais os valores de seguros para motocicletas, sendo que muitas delas deixam de operar em determinadas regiões ou simplesmente abandonam este mercado. Resultado, o cidadão honesto que quer ter uma moto com seguro, não consegue assegurá-la por falta de opção ou paga muito caro por isso. Milhares de pessoas deixam de comprar moto por medo de assalto e esta perda que parece invisível reflete em menores quantidades fabricadas. Se considerarmos que indústria ativa e forte é sinônimo de emprego, temos então mais um efeito colateral deste câncer social, chamado mercado clandestino de peças e motos.

Mas o que pode ser feito? Como reverter este quadro sombrio? O que cada um pode fazer a respeito? Quero deixar alguns pontos para reflexão e quem sabe até ação de quem o pode fazer.

Combate aos desmanches clandestinos – Minar a cadeia financeira é uma das medidas mais importantes. As motos só são roubadas porque tem valor para alguém. Se não conseguissem vendê-las, certamente deixariam de roubá-las. É realmente preciso promover ações articuladas entre polícia e prefeituras, para que esta prática deixe de ser interessante aos criminosos.

Tecnologia: Passou da hora de colocar a tecnologia para trabalhar em favor do bem da sociedade neste aspecto. Se consideramos que até mesmo um celular pode ser encontrado se for roubado, não podemos nos conformar que uma moto desapareça se o for. Até mesmo o banco que financiou a moto deveria saber onde ela está se precisar recuperá-la em caso de inadimplência. Isto poderia inclusive estimulá-los a financiar mais e, portanto, aquecer a economia. Poder localizar as motos seria uma medida importante, mas este tema deve ser amplamente discutido com as fábricas, pois há limites de custo e eficiência, que devem ser muito bem avaliados.

Fiscalização: Precisamos rever o modelo e estrutura de fiscalização atual. Se o bandido sabe que a qualquer momento ele pode ser parado por uma fiscalização, certamente não vai ficar andando por ai com uma moto roubada. O problema é que já não se vê tantas blitz nas ruas. Dessa forma, o risco menor ao bandido potencializa suas ações contra a sociedade.

Impunidade: Criminosos agem sem o menor medo, porque sabem que dificilmente serão punidos. Ainda que presos, as possibilidades de recursos são tantas que todos eles sabem que é possível dar um “jeitinho”.

Delegacias especializadas: No estado de São Paulo a polícia civil possuía duas divisões especiais que focam as questões relacionadas aos veículos: a Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas e a Delegacia de Repressão a Desmanches, que visa prevenir e reprimir desmanches e remontes delituosos de veículo automotor. Ambas são importantes no combate a este tipo de crime, só que o volume de ocorrências é tão grande que acabam servindo para “enxugar gelo”. Os crimes contra motociclistas são muito violentos e numerosos, portanto talvez seja o caso de especializar ações nesta direção também.

Este cenário de São Paulo é apenas um exemplo do que está sendo feito, e que pode ser melhorado, mas há muito o quê se fazer ainda, tanto em São Paulo como em todo o Brasil. O fato é que não podemos mais conviver com tanta violência e impunidade.



Fonte: Fernando Medeiros é diretor executivo da ASSOHONDA

agosto 15, 2014

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Equipe Ipiranga de Freestyle dando um show de manobras!

Marcelo Simões, Fred Kyrillos e Jeff Campacci

Reportagem muito legal feita para o site MotoX com os pilotos da equipe Ipiranga que estão brilhando no freestyle!

Sem tirar os olhos das competições nacionais, a equipe se prepara para enfrentar cada vez mais desafios fora do país e relembra o começo de carreira na modalidade.

O foco dos pilotos Fred Kyrillos, Jeff Campacci e Marcelo Simões não é a terra, mas o céu. Os três atletas do Estado de São Paulo compõem a Equipe Ipiranga, que participa de competições de motocross freestyle e leva a modalidade aos quatro cantos do Brasil. O time se reuniu com o MotoX em uma tarde na cidade de Campinas, interior paulista, e adiantou que a ambição é representar a bandeira verde e amarela em disputas internacionais.


O local do encontro foi a pista de Campacci, o caçula da equipe, localizada no Hotel Fazenda Solar das Andorinhas, onde a junção de três dos melhores pilotos do cenário nacional frequentemente se reúne para treinar e ensaiar novas manobras. Com o objetivo de melhorar os resultados nas disputas brasileiras, a equipe tenta restringir os shows em eventos paralelos a quinze por ano.


Mas ninguém esconde o desejo de competir fora do país. "Claro, o foco principal é participar de campeonatos. Quero fazer o brasileiro, mas também quero tentar algumas etapas de eventos fora do Brasil, como o mundial", explicou Simões. "Basicamente, é isso, evoluir bastante para conseguir andar lá fora".

Em 2012, por empate técnico, o título do Campeonato Brasileiro de Motocross Freestyle ficou nas mãos de Simões e Kyrillos, que no último ano venceu a temporada invicto e conquistou o bicampeonato. O paulistano que coordena o time já soma duas décadas sobre duas rodas. "Eu ando de moto há 21 anos. Comecei com sete, agora tenho 28. No freestyle, estou há 11 anos", conta Kyrillos.

Fred Kyrillos

A entrada na modalidade veio por meio de um dos nomes de destaque do esporte: "No começo eu andava só por diversão, me envolvi no motocross com 11 anos. Quando tinha 17 anos, conheci um grande amigo, que é uma pena que tenha falecido, o Dracena (um dos precurssores do freestyle motocross no Brasil). Ele me levou pra começar a saltar as rampas e depois daquilo eu nunca mais parei", relembra Kyrillos.

Comum entre os pilotos da modalidade, Simões também compartilha o início nas pistas de motocross. A vontade de subir nas motos surgiu em 2000 ao ver um dos primeiros campeonatos de freestyle. "Acabei comprando uma moto de trilha e aprendi a andar de moto já nas trilhas. Então comecei a fazer motocross, mas nunca imaginei que seria um piloto de freestyle", contou vice-campeão brasileiro na modalidade. Competindo durante quatro anos no motocross, o atleta revela como era a preparação: "Nos treinos, eu cortava a pista e ficava só saltando, tentando tirar uma mão, um pé e tal".

Jeff Campacci


Há seis anos no esporte, Campacci, diferentemente, já estreou em busca de ser um piloto de freestyle. "Desde que eu aprendi a andar de moto, fui direto pra modalidade. Ao contrário de todos os pilotos, não passei pela fase do motocross. Como gostava muito das manobras e desconhecia muito também, eu fui direto, sem passar pela etapa principal para aprender a andar de moto. Então tive alguns tombos no caminho pra aprender", revelou o atleta de 25 anos.


Superadas as quedas, hoje Campacci é só sorrisos ao falar do freestyle. "Acho que o mais bacana de tudo isso, são as manobras, a adrenalina, a energia e a conexão que tem com os fãs", avalia. "A gente sempre passa batendo a mão na galera. E quanto mais o público agita nos shows, nos nossos eventos, mais manobras queremos fazer", conta.

Marcelo Simões

A equipe que hoje figura entre as melhores do país se prepara diariamente para crescer no esporte e mostra que os treinos vão muito além de apenas subir na moto e praticar. Desde o tipo de terreno até o aspecto psicológico, nada fica da fora na busca do melhor preparo.

Fred Kyrillos explica melhor: "Meus treinos são sempre na terra. Só usei a piscina de espuma para aprender o backflip. As outras manobras de vôo aprendi direto na terra. É uma outra linha de aprendizagem e foi essa que escolhi". A decisão é baseada para desde os treinos o piloto também desenvolver a capacidade de lidar com imprevistos durante os saltos. E considerando a saúde psicológica tão importante quando o preparo físico, dedicar um tempo a leituras sobre o assunto faz parte da rotina do campeão brasileiro de freestyle.

Fred Kyrillos


Na preparação, a equipe também não mede esforços de alcançar o melhor: viagens para a Califórnia, "a meca do freestyle". Os pilotos veem o intercâmbio de ideias com os estrangeiros uma oportunidade importante de ter um parâmetro do que é preciso melhorar para subir a níveis mais altos de pilotagem. No roteiro, estavam incluídas pistas Millestone, Pala Raceway, Reche Canyon, na casa do Jimmy Fitzpatrick e também o centro de treinamento da Metal Mulisha, primeira pista da modalidade no mundo. 

Marcelo Simões


Conhecer o cenário do esporte nos Estados Unidos também revelam as divergências que dificultam a vida de muitos praticantes no Brasil. "Acredito que existe uma diferença cultural muito grande em relação ao esporte off-road em geral e o freestyle, assim como o motocross, sofre com isso. O preço de nossas motos e equipamentos aqui com certeza atrapalham o desenvolvimento do esporte, limitando o número de possíveis pilotos e fazendo com que a competitividade fique menor", reconhece Kyrillos.
Os frutos da dedicação do trio já apareceram ao longo do ano. No mês de março, Kyrillos foi o terceiro colocado no Farm Jam, competição de FMX, BMX e Mountain Bike na Nova Zelândia. Estreante na competição, o brasileiro conquistou um lugar de destaque no evento, ao finalizar com pódio.



"Acho que a gente chegou num estágio no freestyle nacional, que os pilotos, não só da equipe Ipiranga, mas os pilotos brasileiros em geral estão com uma qualidade muito boa e está na hora de por as caras lá fora", reconhece Kyrillos. A confirmação da frase do paulista vem com o exemplo de Marcelo Simões, primeiro lugar na disputa do Best Whip no Freestyle das Nações 2014 em Gelsenkirchen, na Alemanha, durante o mês de junho.

E apesar da rotina corrida entre treinos, compromissos e viagens, o time não esconde a satisfação de fazer da paixão pelo freestyle o trabalho. Nas palavras de Campacci, "voar é uma sensação indescritível".

Confira abaixo mais imagens desse dia de treinos:




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